Tutankáton: texto sobre Egito antigo critica o pensamento único

De em agosto 21, 2019

Peça: Tutankáton, foto 1

Elenco: Monalisa Silva, Bete Coelho, Samuel de Assis, Daniel Infantini, Reynaldo Machado, Augusto Pompeo e Rogério Brito

Para homenagear o jornalista e dramaturgo Otavio Frias Filho, morto há um ano, a diretora Mika Lins resolveu montar pela primeira vez Tutankáton, em cartaz no SESC Avenida Paulista, peça escrita por ele em 1990 e que retrata o período de reinado do faraó, por volta de 1300 aC, e que ficou conhecido como o governante que restaurou o politeísmo no Egito antigo.

 

 

De acordo com a diretora, a peça é muito atual, pois trata da incapacidade de as pessoas saberem conviver e da tentativa de se impor um pensamento único. Com Bete Coelho como atriz convidada, o elenco, formado por atores negros, é liderado por Samuel de Assis, como Tutankáton, que divide o palco com Augusto Pompeo, Rogério Brito, Daniel Infantini, Monalisa Silva e Reynaldo Machado.

Peça: Tutankáton, foto 2

Bete Coelho na pele da vidente

 

 

Numa sala retangular, comprida, a plateia de 65 pessoas fica diante de caixas de madeira, espalhadas pelo chão e penduradas no teto, com objetos de antigas civilizações. Com estes elementos cênicos, assinados por Laura Vinci e Flora Belotti, o espectador se sente em pleno Egito antigo. A responsável pelo prólogo é a vidente cega, vivida por Bete Coelho, que anuncia a trama, comparando o período dos faraós e o atual:

 

 

Deixai que o espírito do tempo se instale esta noite entre nós, abandonai-vos a sua magia e a seu comando inexorável. Sentireis a brisa de eras distantes quando o mundo ainda não era o mundo, embora girasse inutilmente como hoje.

 

A ação da peça se passa no reinado do jovem Tutankáton, que herdou o trono de seu pai Akenáton, governante que promoveu uma revolução que alterou costumes ao instaurar o monoteísmo numa sociedade politeísta. Ao assumir seu posto, Tutankáton encontra seu povo dividido, revoltado e prestes a entrar em guerra. Para conter os ânimos dos súditos, o jovem faraó extingue a obrigatoriedade de adoração ao deus único Áton, instituído por seu pai, e restitui o culto pagão a vários deuses, devolvendo a paz a seu povo. Muda seu nome para Tutankámon, que significa a imagem viva de Amon, pai dos demais deuses do panteão.

 

Peça: Tutankáton, foto 4

Samuel na pele do faraó: grande atuação

 

“Nosso espetáculo se passa exatamente nesse momento, quando o povo egípcio insatisfeito insurge. O texto faz muito sentido hoje, um período de intolerância e que se tenta impor um pensamento único”, esclarece Mika Lins.

 

 

 

 

 

Numa produção impecável — figurinos de grande impacto assinados por Joana Porto, iluminação de Caetano Vilela e trilha de Marcelo Pellegrini que pontuam a trama —, o destaque maior de Tutankáton fica para a concepção cênica de Mika Lins, além da interpretação marcante de todos os atores, principalmente de Samuel de Assis, Bete Coelho, Rogério Brito e o veterano Augusto Pompeo. Destaque ainda para a maquiagem: traços dourados na pele dos atores acentuam o período da trama, com ênfase aos soberanos Tutankáton e Ankesen (Monalisa Silva), que trazem as extremidades dos dedos das mãos douradas. Sem dúvida um dos grandes espetáculos do ano. Imperdível, corra que a temporada é curtíssima.

 

 

Peça: Tutankáton, foto 5

Soberanos com dedos das mãos dourados

Roteiro:
Tutankáton. Texto: Otávio Frias Filho. Direção: Mika Lins. Assistente de direção: Daniel Mazzarolo. Elenco: Samuel de Assis, Augusto Pompeo, Rogério Brito, Daniel Infantini, Monalisa Silva e Reynaldo Machado; atriz convidada: Bete Coelho. Cenografia: Laura Vinci e Flora Belotti. Iluminação: Caetano Vilela. Musica original: Marcelo Pellegrini. Fotografia: Edson Kumasaka. Maquiagem: Alle Lucas. Produtor executivo: Fernando Azevedo. Direção de produção: Dani Angelotti. Realização: SESC.
Serviço:
Sesc Avenida Paulista (64 lugares), Av. Paulista, 119, tel. 11 3170.0800. Horários: de quinta a sábado às 21h; domingo às 18h. Ingressos: R$ 40, R$ 20  e R$ 12. Bilheteria: de terça a sábado, das 10h às 22h; domingo e feriado, das 10h às 19h. Duração: 90 min. Classificação: 14 anos. Temporada: até 01 de setembro.

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