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Isadora: peça traz trajetória da bailarina precursora da dança moderna


Peça: Isadora, foto 1

Daniel Dantas e Melissa Vettore protagonizam montagem que recria o universo da bailarina Isadora Duncan

Idealizadora do projeto e responsável pela pesquisa, a atriz Melissa Vettore em Isadora, em cartaz no Auditório MASP, encarna no palco a bailarina norte-americana Isadora Duncan (1877/1927), considerada a precursora da dança moderna no ocidente.
Com direção de Elias Andreato, que divide a dramaturgia com Melissa e o ator Daniel Dantas, o espetáculo recria os últimos dias na vida da bailarina, que recebe em seu quarto de hotel em Nice, na França, a visita de um editor (Daniel) interessando em escrever sua biografia. Mesmo desconfiada, Isadora começa a contar sua trajetória e relembra os melhores momentos de sua vida e da carreira, quando formava com os irmãos o Clã Duncan, interpretados por Patrícia Gasppar e Roberto Alencar.

Peça: Isadora, foto 2

Além de interpretar Isadora, Melissa idealizou o projeto

O espetáculo começa, no canto do palco, com o editor Henry, personagem fictício inspirado no escritor Henry Miller, situando Isadora Duncan no contexto em que ela viveu e relatando os primeiros passos da bailarina ao lado dos irmãos e da mãe, que dançam no centro do palco. É desta forma alternada que a trama se desenrola: no canto, representando o quarto de hotel, Isadora nos últimos dias de vida dialoga com o editor e relembra sua trajetória de vida, que é representada num grande círculo em tecido, no centro da cena, ao lado dos irmãos. Bem interessante a projeção de imagens da natureza e de crianças dançando numa estrutura em tecido acima do espaço em que os atores dançam.
Os diálogos entre Isadora e o editor não só relatam os caminhos da bailarina pelo mundo — ela deixou os Estados Unidos e começou a dançar por diversos países, inclusive na Rússia onde viveu os últimos tempos de vida — como evidenciam seu modo revolucionário de pensar, de viver e criar suas coreografias. Ela era contra a rigidez do balé clássico (dançava descalça), era crítica aos padrões formais e opressores da sociedade e lutava pelos direitos da mulher. A conturbada vida amorosa de Isadora Duncan é apenas citada, o que a montagem ressalta é o engajamento dela com a dança e com a vida:

“O projeto de Melissa é contar a trajetória desta mulher tão comprometida com sua dança e com a formação das crianças pobres que ela considerava a esperança de um futuro mais liberto e amoroso. Considerada a pioneira da dança moderna, Isadora causou polêmica ao ignorar as técnicas do balé clássico. Ela acreditou nos seus ideais e permaneceu firme até o fim dançando por eles. Só por isso já valeu a pena conhecer Isadora”, diz Elias Andreato.

 

Peça: Isadora, foto 3

Roberto Alencar, Melissa e Patrícia Gasppar vivem o clã Duncan

Plasticamente o espetáculo encanta, graças ao cenário de Marco Lima, ao figurino de Marichilene Artisevskis  e à iluminação de Wagner Freire que evidenciam as coreografias apresentadas por Melissa Vettore, Patrícia Gasppar e Roberto Alencar — a cena final com uma grande echarpe simbolizando a morte da bailarina é a síntese poética do espetáculo. A participação de Jonatan Harold, que assina a trilha sonora e toca piano e acordeão ao vivo, engrandece ainda mais as danças. Outro destaque fica para a performance de Daniel Dantas, que conduz muito bem a narrativa e tem ótimo desempenho ao lado de Melissa.

Espetáculo tem temporada prevista até final de julho, confira!

 


Fotos: João Caldas

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Maurício Mellone

Como jornalista — tendo atuado em rádio, TV, jornal, revistas e assessoria de imprensa —, a palavra sempre foi minha matéria prima. No entanto, desde 2000 venho cultivando o plano B, ou seja, mantenho no meu velho PC um arquivo com meus escritos, que na verdade já era um pré-blog. Lá, deixo fluir a imaginação para que a linguagem inclusive ganhe novos contornos.


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4 Comentários para “Isadora: peça traz trajetória da bailarina precursora da dança moderna”

  1. Ed Paiva Says:

    Maurício, fiquei encantado com a beleza do cenário e das projeções realizadas durante o espetáculo. O texto é belíssimo, com frases marcantes sobre a arte e seu ofício e o papel da mulher na transformação da sociedade. O elenco está maravilhoso e a música de Jonatan Harold, que acompanha ao piano toda a peça, é essencial para nosso envolvimento com o enredo. Tentarei rever assim que possível!

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  2. Fábio Mráz Says:

    Muito bom! Excelente !

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