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O Desaparecimento do Elefante: peça com 5 contos de Haruki Murakami


Peça: O Desaparecimento do Elefante, foto 1

Caco Ciocler e Fernanda de Freitas dividem o palco com mais 7 atores

Depois de duas temporadas de sucesso no Rio, O Desaparecimento do Elefante fica em cartaz no SESC Pinheiros somente até 05 de maio. A montagem é uma adaptação de Monique Gardenberg para cinco contos do livro The Elephant Vanishes do escritor japonês Haruki Murakami, considerado um dos principais expoentes da literatura mundial contemporânea.
Personagens do cotidiano que vivenciam as contradições e dificuldades do mundo moderno, que beiram ao surreal, são a base da obra de Murakami. Sob a direção Monique Gardenberg e Michele Matalon, o elenco — formado por André Frateschi, Caco Ciocler, Fernanda de Freitas, Kiko Mascarenhas, Maria Luisa Mendonça, Marjorie Estiano, Rafael Primot, Clarissa Kiste e Rodrigo Costa — dá vida a mais de trinta personagens dos cinco contos do escritor japonês.

Peça: O Desaparecimento do Elefante, foto 2

Maria Luisa Mendonça, André Frateschi e Rodrigo Costa interpretam a família do conto Sono

Além de transpor a literatura para o palco, em O Desaparecimento do Elefante as diretoras dão continuidade à pesquisa de linguagem, iniciada com o sucesso de Os Sete Afluentes do Rio Ota, em que procuram aliar o cinema e o teatro. Desta vez esta fusão é obtida graças aos efeitos do cenário de Daniela Thomas e Camila Schmidt: imagens e pequenos filmes são projetados em superfícies translúcidas, o que completam a narrativa cênica.
A peça começa com o conto O Pássaro de Cordas em que um homem desempregado, vivido por Caco Ciocler, está em casa entretido com afazeres domésticos e recebe telefonemas; algumas vezes é a esposa autoritária (Maria Luisa Mendonça) e de outra é uma mulher (Marjorie Estiano) que tenta seduzi-lo. Ele sai à procura do gato de estimação que fugiu e encontra uma garota (Fernanda de Frietas), que o incita a refletir sobre sua vida.

Peça: O Desaparecimento do Elefante, foto 3

Kiko Mascarenhas encena O Comunicado do Canguru

Na sequência, em O Comunicado do Canguru, Kiko Mascarenhas é um funcionário de uma loja responsável por responder reclamações dos consumidores e se encanta com a escrita de um cliente. O terceiro conto, Sono, é o que mais me chamou a atenção: Maria Luisa Mendonça dá vida a uma dona de casa que não dorme há 17 dias, fato despercebido tanto pelo marido (André Frateschi) como pelo filho (Rodrigo Costa); ela durante a noite lê Ana Karenina, de Tolstói, e num determinado momento ficção e realidade se embaralham. Em O Segundo Ataque um casal com fome (Caco e Fernanda) assalta uma lanchonete em plena madrugada. Aqui muito de nonsense  e elementos de história em quadrinho. Por último, o conto que dá nome ao livro e à peça, O Desaparecimento do Elefante: um rapaz (Rafael Primot) obcecado com a história de um elefante que desapareceu sem deixar vestígios conta sua versão imaginativa para uma jornalista (Fernanda).
Com personagens aparentemente normais e situações inusitadas, a peça envolve o espectador, justamente por tratar de temas tão próximos a todos nós, como a solidão e a dificuldade de lidar com a complexidade do mundo contemporâneo.

 

“Murakami tem uma percepção aguda da sociedade contemporânea. Parte sempre de cenas cotidianas, com personagens aparentemente comuns, para criar situações surreais, que beiram ao nonsense”, analisa a diretora Monique Gardenberg.

 

Além da direção precisa da dupla Monique e Michele e o elenco afinadíssimo em O Desaparecimento do Elefante, gostaria de destacar os figurinos de Claudia Kopke e a iluminação de Maneco Quinderé.

Fotos: André Gardenberg

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Maurício Mellone

Como jornalista — tendo atuado em rádio, TV, jornal, revistas e assessoria de imprensa —, a palavra sempre foi minha matéria prima. No entanto, desde 2000 venho cultivando o plano B, ou seja, mantenho no meu velho PC um arquivo com meus escritos, que na verdade já era um pré-blog. Lá, deixo fluir a imaginação para que a linguagem inclusive ganhe novos contornos.


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