Nasci para ser Dercy: solo de Grace Gianoukas sobre Dercy Gonçalves

De em janeiro 15, 2024

 

Grace Gianoukas presta homenagem à veterana atriz e comediante Dercy Gonçalves

 

Recife recebeu de abraços abertos Grace Gianoukas em sua homenagem à veterana atriz e comediante Dercy Gonçalves. Em duas semanas de apresentações na Caixa Cultural Recife — a peça comemorou um ano em cartaz no domingo —, as sessões foram de casa cheia, sendo que os ingressos se esgotaram em poucos minutos! No próximo final de semana o espetáculo já estará em cartaz no Rio de Janeiro (Teatro I❤PRIO), em nova temporada carioca.

 

 

Kiko Rieser: escreveu e dirige a peça

 

Com texto e direção de Kiko Rieser — vencedor do Prêmio Bibi Ferreira/2023 na categoria dramaturgia original —, o espetáculo resgata a importância de Dercy Gonçalves para a arte dramática brasileira, uma mulher que faleceu aos 101 anos em 2008 e construiu uma carreira de sucesso popular graças a sua garra, determinação e luta contra o preconceito. Dercy rompeu padrões e ajudou a criar uma forma de atuação sem formalismos, eminentemente brasileira nos palcos.

 

 

 

 

 

 

Grace na pele da atriz do teste para o filme sobre Dercy

 

O diferencial do texto de Rieser é justamente a forma de contar a trajetória de vida de Dercy Gonçalves: ao invés de optar por uma narrativa cronológica, o autor inicia a trama com a chegada a um estúdio de gravação de uma atriz, Vera Finarelli, que se candidatou ao teste para ser a protagonista do filme biográfico de Dercy. Nervosa e sem entender as regras do teste já que não há ninguém no local, ela começa a atender a uma voz em off (participação de Miguel Falabella). Repete sua fala duas ou três vezes e, inconformada, reage contra o roteiro do filme, que retrata a veterana atriz de forma caricata e superficial.

 

 

 

 

A partir deste instante, Vera, já devidamente caracterizada como Dercy, assume a personalidade da veterana atriz e conta, da sua maneira, como conseguiu deixar as garras do pai autoritário e fugir de Madalena/RJ para iniciar sua carreira no Rio. Numa época em que atriz tinha o mesmo registro profissional em carteira que o das prostitutas, Dercy sofreu discriminação, mas com seu jeito irreverente e impulsivo foi conquistando espaço. Ela conta sobre seu primeiro casamento, da dificuldade que sentia com sexo e com os homens até se casar novamente e engravidar de Decimar (falecida no ano passado aos 88 anos). Paralelamente fala sobre como criou seu estilo de interpretar, sempre muito solto, à vontade no palco, com improvisos e seu linguajar popular, cheio de gírias e palavrões.

 

 

 

 

 

 

 

Grace Gianoukas: habilidade e talenco

 

O interessante do texto é este jogo cênico, este vai e vem: a atriz Vera incorpora Dercy, que fala sobre sua vida e sua carreira, para logo depois retomar seu papel de narradora daquela história. Grace Gianoukas, com habilidade e talento, faz esta troca de personalidades ser natural e espontânea, alterando o tom de voz de uma para outra e dando ênfase ao gestual de Dercy. Outros destaques da montagem são para o glamoroso figurino, assinado por Kleber Montanheiro, e para a iluminação de Aline Santini.

 

 

 

 

 

 

 

 


Depois deste primeiro ano em cartaz, o espetáculo tem tudo para continuar sua carreira de sucesso, viajando pelo país. Tudo graças ao resgate de uma atriz brasileira de personalidade forte e polêmica: Dercy conquistou o sucesso junto ao grande público em razão de seu estilo próprio e sua forma espontânea e irreverente de ser, na vida e no palco.

 

 

 

 

Roteiro:
Nasci para ser Dercy
. Texto e direção: Kiko Rieser. Elenco: Grace Gianoukas, participação em off de Miguel Falabella. Direção de produção: Paulo Marcel. Cenário e figurino: Kleber Montanheiro. Iluminação: Aline Santini. Trilha sonora: Mau Machado. Visagismo: Eliseu Cabral. Fotografia: Heloísa Bortz. Realização: Ventilador de Talentos.
Serviço:
Teatro I❤PRIO, Av. Bartolomeu Mitre, 1110B, tel. 21 3807-1110. Horários: de 19 a 21 de janeiro, sexta e sábado às 20h e domingo 19h. Ingressos: R$ 80 e R$ 40. Vendas: Sympla. Duração: 80 min. Classificação: 14 anos.

 


2 Comentários

Adriana Bifulco

janeiro 15, 2024 @ 19:18

Resposta

O espetáculo com certeza é uma linda homenagem à Dercy. O jogo cênico deve ser muito interessante e, acredito, torna a peça dinâmica.
Mais uma resenha que nos transporta para os palcos! Que delícia de texto. Obrigada, querido!!

Maurício Mellone

janeiro 15, 2024 @ 19:35

Resposta

Dri, querida:
muito obrigado por seu olhar para o Favo e meu trabalho!
Vc sabe do meu amor pelo teatro: a minha intenção é realmente
transportar o leitor para o palco, ou fazer com q vá ao teatro
conferir o q escrevi sobre a peça! rsrs
Volte sempre, adoro seus comentários tão precisos e sensíveis
Beios

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