Peça: Tom na Fazenda, foto 1

Tom na Fazenda: peça de autor canadense fala de preconceito, homofobia

De em março 26, 2019

Peça: Tom na Fazenda, foto 1

Gustavo Vaz, Armando Babaioff e Kelzy Ecard estão no espetáculo de Michel Marc Bouchard

Depois de sete temporadas no Rio, ter percorrido festivais e de ter vencido diversos prêmios — inclusive o de melhor espetáculo estrangeiro do Festival TransAmériques-FTA de Montreal/Canadá-2018 — a montagem carioca Tom na Fazenda, do dramaturgo canadense Michel Marc Bouchard, cumpre curta temporada na cidade: está até o dia 14 de abril no Sesc Santo Amaro.

Com direção de Rodrigo Portella, Armando Babaioff, idealizador do projeto e responsável pela tradução da peça, vive o publicitário Tom, que abalado com a morte do namorado, resolve ir à fazenda da família dele para acompanhar o funeral. Lá descobre que Agatha, vivida por Kelzy Ecard, desconhecia a existência dele e nunca soube que o filho era gay. Tom é forçado pelo irmão do namorado, Francis, interpretado por Gustavo Vaz, a mentir para Agatha e nesta relação tumultuada descobre o passado homofóbico e criminoso de Francis.

Peça: Tom na Fazenda, foto 2

Tom (Babaioff) e Francis (Vaz) vivem misto de amor e ódio

 

 

Com poucos elementos cenográficos — destaque para o piso de plástico com pó, que à medida que recebe baldes de água vira um lamaçal —, a trama enfatiza o embate entre os personagens, principalmente entre Tom e Francis, que vivem um misto de repulsa e atração, ódio e amor. O publicitário mora na capital e ao chegar à fazenda do namorado recebe um choque de realidade: além do ambiente hostil e adverso ao seu mundo, tem de lidar com a hipocrisia daquela família e com o homofóbico e truculento cunhado. Tom entra no jogo de aparência proposto por Francis e se envolve com ele naquele universo de mentiras, preconceito e violência.

 

 

 

“Todo redemoinho que devastará a vida dos que fogem das normas surge no núcleo de suas próprias famílias. Bouchard compôs uma obra de estrutura impecável. Ele vai fundo nas contradições dos seus personagens, o que os torna muito próximos de nós”, argumenta o diretor Rodrigo Portella.

 

A peça Tom na Fazenda (Tom à la Ferme) foi escrita em 2011 e dois anos depois ganhou uma versão para o cinema, pelas mãos do canadense Xavier Dolan. Armando Babaioff se encantou pela obra e resolveu entrar de cabeça para montar o espetáculo:

 

“O Brasil é o país que mais mata homossexuais no mundo, mais do que nos países em que há pena de morte aos LGBTs. O que me fascina nesta peça é a possibilidade de falar de assuntos que eu realmente acho necessário, de dizer para o mundo verdades das quais eu acredito. Traduzir e encenar Michel Marc Bouchard pela primeira vez no Brasil está sendo uma jornada desafiadora e somos felizardos em poder contar essa história, agora em São Paulo”, arremata o ator.

 

Além da dramaturgia contundente (uma denúncia cortante à homofobia e aos preconceitos), o espetáculo é arrebatador, com uma concepção cênica vigorosa que enfatiza a atuação do ator; destaque para a cenografia de Aurora dos Campos e a iluminação de Tomás Ribas. No entanto Armando Babaioff e Gustavo Vaz literalmente roubam a cena: com uma interpretação visceral, eles prendem a atenção (e a respiração) do espectador nos 120 minutos de duração da peça. Sem dúvida, um espetáculo de grande impacto; pena que a temporada paulistana é tão curta. Programe-se, a peça está em cartaz só até o dia 14 de abril.

 

 

Peça: Tom na Fazenda, foto 3

Atores são dirigidos por Rodrigo Portella

Roteiro:
Tom na Fazenda
. Texto: Michel Marc Bouchard. Tradução: Armando Babaioff. Direção: Rodrigo Portella. Elenco: Armando Babaioff, Kelzy Ecard, Gustavo Vaz e Camila Nhary. Cenografia: Aurora dos Campos. Iluminação: Tomás Ribas. Figurino: Bruno Perlatto. Direção musical: Marcello H. Fotografia: Renato Mangolin. Programação visual: Bruno Dante. Produção executiva: Milena Monteiro. Produção: Galharufa Produções. Idealização: ABGV Produções Artísticas.
Serviço:
Sesc Santo Amaro (279 lugares), Rua Amador Bueno, 505, tel.:11 5541-4000. Horários: sexta e sábado às 21h e domingo às 18h. Ingressos: R$ 30, R$ 15 e R$ 9. Bilheteria: de terça a sexta das 10h às 21h30; sábado e domingo das 10h às 18h30. Duração: 120 min. Classificação: 18 anos. Temporada: até 14 de abril.

Site Aplauso Brasil, especializado em Teatro
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